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12/02/2017

Ama San

Claudia Varejão, 2016

Aquela delicadeza é enganadora. As elegantes mariscadoras/pescadoras são muito mais do que isso: atletas do Olimpo na água e na família. A Claudia pintou um quadro notável noutra língua, noutras cores, noutro quadro mental, noutro universo.
Gosto da cena do jantar colectivo, do jantar solteiro, do fogo de artifício, do pano branco antes da máscara, dificílimo de dobrar, qual origami, cuja razão de ser não percebo, apenas a beleza.

I, Daniel Blake

Ken Loach, 2016
com Dave Johns

Um grito emocionante de revolta. O homem perdido, mastigado nas engrenagens de uma política burocracia contemporânea, se é que esta alguma vez não foi política. Tantas e demasiadas vezes a faltar a humanidade básica. As pessoas fazem a diferença nos postos que habitam, independentemente, até certo ponto, das regras que os envolvem. Que herói e que choradeira, mas só mesmo no fim. Os trabalhadores do centro de emprego de Newcastle não gostaram, dizem não reflectir de forma precisa a realidade. Ken Loach afirma o contrário.

05/02/2017

Rogue One: a Star Wars story

Gareth Edwards, 2016
Com Felicity Jones

Espectacular e muito satisfatória destruição de uma enorme nave em pequeníssimos pedaços. Primeira parte aborrecida. Segunda bem boa. Visualmente, muito respeitador dos clássicos, basta olhar para os uniformes do Império.O cenário tropical agrada-me e, dentro da enorme fantasia, ata pequenas mas importantes pontas soltas da trilogias de 77-83 que pareciam ilógicas e tontas.

Lo and Behold, reveries of the connected world

Werner Herzog, 2016

Premonitório? Interessante. Num tom seco e irónico, Herzog leva-nos à volta do mundo para visitar as encruzilhadas da tecnologia. Uma máquina que lê pensamentos? Pessoas alérgicas à tecnologia, às ondas dos telemóveis? Exploramos o primeiro computador da rede internet, de resistência militar. Uma louca família atacada pela turba das redes sociais, porque eram ricos, tinham um Porsche? Nem sei. E a parte boa: os habitantes do planeta a encontrarem a cura para uma doença através de um jogo em rede.

28/01/2017

Snowden

2016, Oliver Stone
Com Joseph Gordon-Levitt

Black Mirror gigante. Paranoia real e justificada? Pária corajoso. Herói global? Devemos começar todos a colar fita cola nos PCs? Será que algo mudou?

17/01/2017

The arrival

Denis Villeneuve, 2016
Com Amy Adams

Não é um filme sobre extraterrestres, é um filme sobre linguagem. Sobre os limites da linguagem que aprendemos. Sobre os limites que esquecemos. A heroína é uma especialista em línguas. É interrompida quando está prestes a dar uma aula sobre português. Visualmente estonteante e delicado.

16/11/2016

Zululuzu

2016, Teatro São Luíz
Com Pedro Zegre Penim, André Teodósio

Não está ao nível dos brilhantes Eurovision, Tropa Fandanga, Tear Gas e Padam Padam. Diverte sim, mas parece que se perdeu na metacrítica em demasia, nos debates e lutas de egos que escapam aos que não pertencem ao meio. Algo não encaixa como encaixou.