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26/10/2014

Os homens que odeiam as mulheres

Stieg Larsson, 2005, 18ª edição - 2013 - pela Oceanos, do Grupo Leya

Este não é um policial de crime quarto fechado, é de ilha mais ou menos fechada. Stieg Larsson desenha e desenrola o mistério com classe e ritmo extremo. Um thriller-mistério, também crítica da violência sobre as mulheres e com um laivo da sua costela de académico especialista em movimentos de extrema direita na Europa. Irritou-me Blomkvist ter ido sozinho atrás do senhor suspeito depois de andar a levar tiros de caçadeira. Gostei da Austrália, dos muitos cafés em casa das pessoas e da investigação pelas fotografias.

Film, David Fincher, 2011
Com Daniel Craig, Rooney Mara
Parece que a parte final foi alterada, simplificada e logo uma das partes sobre a qual eu tinha, visualmente, mais interesse. Nem um cheirinho de Austrália. Gosto do trabalho de Rooney Mara mas Lisbeth é menos gira do que eu a imaginava apesar de, no livro, terem dito que não era bonita. O livro é melhor.

20/02/2010

Haruki Murakami: Auto-retrato do escritor enquanto corredor de fundo

2007, 1ra edição em Português 2009 - Casa das Letras - Leya

2010 - Easy-digest e limpinho. Livro para desfrutarmos das reflexões básicas mas não menos profundas que atravessam Murakami enquanto corre, ou depois disso. Engraçado que ele olha para o exercício físico e o trabalho do corpo como essencial para escrever melhor e combater ou compensar o caos e processso destrutivo essencial à arte da escrita. 

Reli em Agosto de 2013 quando começei a correr mais regularmente.

Textos soltos e genuínos  sobre como é viver a correr e a escrever. A dança constante entre corpo e mente, e o prazer das longas distâncias. Tão efémeras como dolorosas e irresistíveis.

Pedaços:

Somerset Maughan escreveu uma vez que até no gesto de fazer a barba existe algo de filosófico. Por mais anódina que uma operação possar ser, pelo simples facto de se repetir todos os dias, vezes sem conta, produz uma espécie de beleza contemplativa.

Considero-me uma pessoa lenta e meticulosa, e , na medida em que sinto dificuldade em aprender seja o que for sem antes traduzir por escrito os meus pensamentos, vi-me obrigado a passar ao papel.

A dôr é inevitável mas o sofrimento é uma opção.

Corro, só isso. Corro no vazio. Dito de outro modo: corro para atingir o vazio. No entanto, há sempre um pensamento ou outro que acaba por se introduzir nesse vazio. O espírito humano não pode ser um vazio completo. As emoções dos homens não se revelam suficientemente fortes ou consistentes, ao ponto de albergarem o vazio. Quero com isto dizer que os pensamentos e ideias que invadem o meu espírito enquanto corro permanecem subordinados a esse espaço oco.

Não existe no mundo real nada que se posssa comparar em beleza às ilusões de um homem em risco de perder a razão.