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18/11/2017

Pechisbeque

p.323 "O pechisbeque é outra dimensão muito típica da da cultura material dos burgueses. A palavra vem de um operário inglês, Pinchbeck, que descobriu a forma de, misturando cobre e zinco, obter uma liga que tinha uma cor parecida com o ouro. A função dos pechisbeque foi exactamente essa: parecer o que não era, permitir à mediania imitar a opulência. Teve uma carreira fulgurante: dos botões das librés e das lanternas das caleches passou ao interior da casa, enchendo-a de ferragens brilhantes, molduras, apliques, e acabou em pulseiras cravejadas de pedras falsas. Além do pechisbeque metal, houve muitos outros: as paredes de mármore fingido, a escultura de gesso, a seda de papel que forrava as salas, os tapetes persa fingidos. A casa do burguês recordava a antiga casa do nobre. Para o fim do século (XIX), os grandes burgueses sentiram mesmo necessidade  de se distinguir dos pequenos e começaram a desencantar pelos sótãos da província e nos pardieiros que tinham comprado quando da venda dos bens da Igreja, velhos armários que falavam de um passado ilustre, e mesmo telas com retratos desconhecidos que adoptavam como antepassados. E eram-nos, se não deles, pelo menos da sociedade que iam reconstituindo."

"História Concisa de Portugal" José Hermano Saraiva

25/12/2014

Afonso D. Keynes Henriques

Orçamento Estado 1179 ?

"Eu, Afonso, rei dos Portugueses, considerando a minha morte e o dia do severo juízo, quando cada um será retribuído segundo as suas boas ou más acções (...), tendo ponderado diligentemente, decidi dispor de certa parte da minha fortuna, isto é, de 22.000 maravedis que tenho depositados no Mosteiro de Santa Cruz e reparti-los em benefício da minha alma depois da minha morte da forma seguinte: primeiramente à Ordem do Hospital de Jerusalém, 8.000 mosmodis (...). Para a obra de de Santa Maria de Lisboa, 1.000 maravedis. Para a obra de Alcobaça, 500 maravedis. Para a obra da igreja de Évora, 500 maravedis. Para a obra de Coimbra, 500 maravedis. Para a obra do Porto, 500 maravedis. Para a obra de Braga, 500 maravedis. Para a obra de Viseu, 500 maravedis. (...) E dei já ao abade e frades de S. João de Tarouca 3.000 maravedis, que mando sejam destinados à ponte sobre o Douro. (...) Já dei ao mestre de Évora, Gonçalo Viegas, 10.000 maravedis para serem gastos em utilidade e defesa desta cidade quando for necessário. E deixo aos pobres que existem no bispado de Lisboa 1.000 maravedis; aos pobres que vivem em Santarém, Coruche, Abrantes, Tomar, Torres Novas, Ourém, Leiria e Pombal, 1.000 maravedis (...). Ao hospital novo de Guimarães, ao de Santarém e ao de Lisboa, 260 maravedis."

p. 73 e 74 "História Concisa de Portugal" José Hermano Saraiva