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11/11/2019

Um filme falado

Manoel de Oliveira, 2003
Com John Malkovitch, Leonor Silveira, Catherine Deneuve, Irene Papas

05/03/2019

O princípio da Incerteza

Manoel de Oliveira, 2002
com Leonor Baldaque, Ivo Canelas, Ricardo Trepa

Famílias e casais capturados uns pelos outros no Douro sem escrúpulos entre ricos e pobres.

19/11/2016

Porto da minha infância

Manoel de Oliveira, 2001

Uma homenagem excepcional, de facto. Autobiográfico, belo, pessoal e saudosista. O Porto antigo gravado gravado em histórias e fragmentos visuais. O Porto burguês, mas cru em que Manoel cresceu. E a hilariante cena do ladrão simpático.

09/02/2016

Vou para casa

Manoel de Oliveira, 2001
Com Michel Piccoli, John Malkovich

A metáfora é maior do que eu pensava. O caminho das máquinas, da opressão maquinal que nos pressiona até desejarmos voltar para o ventre da mãe, para casa. Baseado em factos reais, este é das mais belas peças criadas por Manoel. Lindo de morrer. Paris capturada no agora. Uma ode ao teatro, à intersecção do teatro e cinema com a vida real. Brilhante.

08/02/2016

Palavra e Utopia

Manoel de Oliveira, 2000
Com Luís Miguel Cintra, Lima Duarte, Leonor Silveira, Ricardo Trêpa

Pai da palavra e utopia portuguesa. Da liberdade, do futuro, aventura, trabalho e entrega. Escritor, orador e pensador virtuoso. De facto, calham bem a Oliveira as palavras: "servir aos futuros, pagar aos passados e não dever nada aos presentes".

"Finalmente, vossa Reverendíssima me diz que não sabe a resolução que se tomará em Lisboa, e lhe parece que Sua Majestade se lançará de fora. Eu o quisera muito metido de dentro, porque vi cartas de alguns que não estão mui longe dos seus ouvidos", Padre António Vieira, Séc. XVII, que escreveu, não estou a brincar, um livro chamado 'História do Futuro'.

01/11/2015

A carta

Manoel de Oliveira, 1999
Com Chiara Mastroianni, Pedro Abrunhosa, Leonor Silveira

Um premiado Manoel de Oliveira já tinha esta história na cabeça, depois de um professor de francês avançado, de Braga, lhe ter falado. Sucumbe à rectidão de Madame Lefévre, moderna, como o novo Príncipe Abrunhosa, que era ele, mas preferia outro carro que não o vermelho. Lefévre é arrebatadora, Ela é boa pessoa mas o sentimento descontrolado tudo destrói.

18/01/2015

Inquietude

Manoel de Oliveira, 1998

Três fábulas a mostrar como Manoel de Oliveira vive esta comédia humana em seu torno.
A morte e as mulheres e o magnetismo entre eles. A loucura da imortalidade, que apenas a morte oferece.
Manoel de Oliveira tem os dedos dourados, é um eterno bruxo do cinema.
Ah, e dança, se dança.

"A felicidade é um detalhe"
"Estamos mecanizados, somos quinquilharia ambulante"

13/04/2014

Viagem ao princípio do mundo

Manoel de Oliveira, 1997, com Marcello Mastroianni, Jean-Yves Gautier, Leonor Silveira, Diogo Dória, Isabel de Castro, Isabel Ruth

Voltámos ao princípio do mundo, ao início da vida de Manoel de Oliveira, pelo seu imaginário, nesta que é a mais autobiográfica das suas obras. Ruínas, marcas que subiram pelas árvores acima, uma mão velha que já não chega ao fresco da jovem flôr. O norte, simples e belo, e uma tia desconfiada que se rende ao seu sangue. Mastroianni faz de Pedro Macau, de Manoel de Oliveira, na sua derradeira participação, e Manoel faz 'cameos' deliciosos. "Viver muito tempo é uma prenda de Deus mas tem o seu preço".

23/07/2013

Party

Manoel de Oliveira, 1996

Guerra de sexos amarrados, a traição do coração discutida aberta, descarada e racionalmente. Em quatro. O sedutor que o faz levianamente. As deslocações em dois para uma sala ao lado, para um lugar ao lado para explorar a possibilidade de executar.  A dificuldade ou até a impossibilidade da constância do amor.

Acaba com a cobardia de não querer mudar nada, com a chuva a molhar a possibilidade da aventura, com tudo na mesma, com os 5 anos amarrados ao que já eram.

23/06/2013

O Convento

Manoel de Oliveira, 1995, com John Malkovich, Catherine Deneuve, Luis Miguel Cintra, Leonor Silveira

Padovic (Malkovich) perde-se nos livros e impossível investigação assim como na doçura da assistente Piedade. Distrai-se enquanto o sombrio Baltar teça uma teia em volta da mulher Héléne que acaba por o apanhar a ele próprio.As pistas estão nas referências ao Fausto de Goethe.

13/01/2013

Cada um o seu cinema

Festival de Cannes, 2007 - Edição Midas Filmes, 2008


Pelo aniversário 60 do Festival de Cannes 33 cineastas foram convidados a contar numa curta a sua visão do cinema e das salas de cinema. Lynchs e Kitanos são uns meninos formatados ao pé de Manoel de Oliveira que, desafiado para um filme de três minutos sobre o que isso significa para ele, é o único que não mostra nenhum cinema em si.
Faz uma parábola com o anterior Papa e Krutschev, dizendo o sumo pontífice ao líder soviético que, entre os dois, pelo menos há uma coisa em comum: a barriga. Oliveira é o chamado 'boss'

19/12/2012

O gebo e a sombra

Manoel de Oliveira, 2012, com Michael Lonsdale, Claudia Cardinale, Jeanne Moreau, Leonor Silveira, Luis Miguel Cintra, Ricardo Trêpa - Cineclube de Viseu, 18 Dez 2012

Por que lado se alinha Manoel de Oliveira no seu interior? Com o gebo ou do lado da sombra? De uma lucidez e hiper-realismo perversos.Talvez ele e Raúl Brandão contem apenas as coisas como elas são, sem assumir posição. Apenas o dinheiro, a pobreza, a frustração, o mal, o bem, a pena e a coragem na estranha dança que executam.

"Essa agora! Eu cá por mim, quando acabo o trabalho e me sento aqui, com os livros ao lado, a ouvir chover - e como ela cai! - não me sinto infeliz. Pelo contrário: estou quente, tenho-vos ao pé de mim...".

21/07/2011

Vale Abraão

1993, Manoel de Oliveira
Com Leonor Silveira e Luís Miguel Cintra

O Douro é a paisagem dominante, a personagem principal. Excelente, apetece sair disparado para o comboio e rumar solitário a Trás-os-Montes. A vida de Bovarinha,  as vinhas e bailes que frequenta são extravagantemente belos, poéticos. É um prazer olhar Leonor Silveira a perder-se no exagero da sua própria beleza.

Pedaços: "o mundo fabrica em surdina coisas que pertencem a um isolamento e não se partilham, como o sexo e o pão"; Não sou nada, sou um estado de alma em balouço"; "Esta Europa que elaborou o próprio estatudo de civilização é vítima de si própria, apercebeu-se disso, talvez, demasiado tarde"; "nada disto é importante, mas ninguém imita melhor do que eu uma bela vida".

16/06/2011

O Dia do Desespero

Manoel de Oliveira, 1992

Paulo Branco - Produtor, com Teresa Madruga e Mário Barroso

'Quero que o céu vista a côr negra da minha alma', diz Manoel de Oliveira, citando Camillo Castello-Branco. Fala-nos dos selvagens felizes, dos padecimentos de Camillo, recolhendo as muitas cartas que o escritor escreveu, estudando a sua vida e fim dela ao pormenor. Amassa a morte grave, vista como o eterno estigma do silêncio nos lábios, com as paixões desvairadas em Seide. Em Lisboa, noto que me sento a uma mesa igual à de Ana Plácido, amante de Camilo. Um 'drama em gente' em que Camillo morre sete quartos de hora depois e em que uma das cenas finais com a cadeira de balanço rouba o espectáculo. Uma brilhante folhinha seca.

09/11/2010

A Divina Comédia

Manoel de Oliveira, 1991


Deixa-nos no limbo: não sei quem Manoel de Oliveira culpa,questiona, desafia e ridiculariza mais, se a religião ou a ciência e razão. Limita-se talvez a expor as incongruências e a profundidade das dúvidas e inseguranças de cada uma. As personagens estranhas e conhecidas vão percorrendo o seu caminho de esforço e inquietação sobre estas dúvidas, pouco avançando na maior parte das vezes mas de conflicto sempre aceso. A importância da maior parte destas discussões há mais de 2000 anos que não nos abandona e por mais 2000 irá ficar.

15/05/2010

NON ou a vã glória de mandar

Manoel de Oliveira, 1990


Portugal histórico encapsulado nas suas ilusões de glória. O D.Sebastião de Manoel Oliveira fez-me lembrar uma personagem bem actual do nosso panorama. Doce ‘negativo’ dos Lusíadas e batalhas muito engraçadas.

15/04/2010

Os Canibais

Manoel de Oliveira, 1988

Senti-me como "Werther a rebentar o crâneo", acrescento que "parece idealizado por Lord Byron". O visconde de Avelada apanhou-me bem apanhado, e esta tem de ser, sem sombra para dúvidas, das piores noites de núpcias da história do cinema português. O fim é incrível.

p.s. O Capelão é um grande detective, qual C.S.I.

27/12/2009

O meu caso


Manoel de Oliveira - Filme de abertura do festival de Veneza 1986

Os casos apresentados no "meu caso" são:
- o mundo conspira contra mim, má sorte
- ser despedido porque um louco entrou para o set
- escolher entre o Edmundo e o Frederico para amante

Gosto também quando o cliente enganado e cansado se faz ouvir e protesta. É um filme sem "pataridisses" para "homens que não são ratos", que tenham estômago para o apreciar, digerir, degostar e abraçar.