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28/02/2016

As Bodas de Deus

João César Monteiro, 1999
Com Rita Durão, Joana Azevedo e Luís Miguel Cintra

A fortuna bate à porta quando Luís Miguel Cintra a entregar uma mala de dinheiro a João de Deus, transformando-o no Barão de Deus.

Memorável sarça ardente, a Traviata no camarote presidencial do São Carlos e uma noite de amor surpreendente, em que César expõe a sua fragilidade de forma corajosa e bela.

"- Tome lá cem escudos. Mas não gaste tudo em vinho. - Deus a abençoe Madre Abadessa, por esta santa esmolinha. - Que Deus o acompanhe. - Mais vale só que mal acompanhado. … - Ó Agostinho, toma lá cem dólares, mas não gastes tudo em freiras. - Muito obrigado meu bom senhor"


 “- Será da minha vista ou as maminhas também te cresceram? (...) Achas que posso ver só uma? Tenho estado a pão e laranjas”.

08/02/2016

Palavra e Utopia

Manoel de Oliveira, 2000
Com Luís Miguel Cintra, Lima Duarte, Leonor Silveira, Ricardo Trêpa

Pai da palavra e utopia portuguesa. Da liberdade, do futuro, aventura, trabalho e entrega. Escritor, orador e pensador virtuoso. De facto, calham bem a Oliveira as palavras: "servir aos futuros, pagar aos passados e não dever nada aos presentes".

"Finalmente, vossa Reverendíssima me diz que não sabe a resolução que se tomará em Lisboa, e lhe parece que Sua Majestade se lançará de fora. Eu o quisera muito metido de dentro, porque vi cartas de alguns que não estão mui longe dos seus ouvidos", Padre António Vieira, Séc. XVII, que escreveu, não estou a brincar, um livro chamado 'História do Futuro'.

02/01/2016

João César Monteiro - Os primeiros filmes

João César Monteiro

Lusomundo
Editado com a colaboração especial da Cinemateca portuguesa - museu do cinema


Sophia de Mello Breyner Andresen, 1970
Muito mar num documento surpreendente. Sente-se o círculo pequeno e o meio onde vivia a escritora, dedicação aos filhos, entre eles um jovem Miguel Sousa Tavares, praia e conversas sobre escrita e poesia.



Quem espera por sapatos do defunto morre descalço, 1970-71
Lisboa como foi. Procurar os mortos para penhorar sapatos. O início do fascínio de João César Monteiro pelos pelintras e trapaceiros. A primeira aparição de Luís Miguel Cintra.



Fragmentos de um filmes esmola 1972-77
Não sai do quarto, mete máscara de porco e ataca o sogro quando se passa. Uma gentil loucura que todos temos, levada ao extremo.



Que farei eu com esta espada? 1975
Marinheiros no Cais do Sodré. Quem o viu e quem o vê. Soldados dos Estados Unidos e Holandeses no Castelo e na baixa que não sabem nada sobre nada. Meninas de discurso profundo.


18/01/2015

Inquietude

Manoel de Oliveira, 1998

Três fábulas a mostrar como Manoel de Oliveira vive esta comédia humana em seu torno.
A morte e as mulheres e o magnetismo entre eles. A loucura da imortalidade, que apenas a morte oferece.
Manoel de Oliveira tem os dedos dourados, é um eterno bruxo do cinema.
Ah, e dança, se dança.

"A felicidade é um detalhe"
"Estamos mecanizados, somos quinquilharia ambulante"

23/06/2013

O Convento

Manoel de Oliveira, 1995, com John Malkovich, Catherine Deneuve, Luis Miguel Cintra, Leonor Silveira

Padovic (Malkovich) perde-se nos livros e impossível investigação assim como na doçura da assistente Piedade. Distrai-se enquanto o sombrio Baltar teça uma teia em volta da mulher Héléne que acaba por o apanhar a ele próprio.As pistas estão nas referências ao Fausto de Goethe.

19/12/2012

O gebo e a sombra

Manoel de Oliveira, 2012, com Michael Lonsdale, Claudia Cardinale, Jeanne Moreau, Leonor Silveira, Luis Miguel Cintra, Ricardo Trêpa - Cineclube de Viseu, 18 Dez 2012

Por que lado se alinha Manoel de Oliveira no seu interior? Com o gebo ou do lado da sombra? De uma lucidez e hiper-realismo perversos.Talvez ele e Raúl Brandão contem apenas as coisas como elas são, sem assumir posição. Apenas o dinheiro, a pobreza, a frustração, o mal, o bem, a pena e a coragem na estranha dança que executam.

"Essa agora! Eu cá por mim, quando acabo o trabalho e me sento aqui, com os livros ao lado, a ouvir chover - e como ela cai! - não me sinto infeliz. Pelo contrário: estou quente, tenho-vos ao pé de mim...".

21/07/2011

Vale Abraão

1993, Manoel de Oliveira
Com Leonor Silveira e Luís Miguel Cintra

O Douro é a paisagem dominante, a personagem principal. Excelente, apetece sair disparado para o comboio e rumar solitário a Trás-os-Montes. A vida de Bovarinha,  as vinhas e bailes que frequenta são extravagantemente belos, poéticos. É um prazer olhar Leonor Silveira a perder-se no exagero da sua própria beleza.

Pedaços: "o mundo fabrica em surdina coisas que pertencem a um isolamento e não se partilham, como o sexo e o pão"; Não sou nada, sou um estado de alma em balouço"; "Esta Europa que elaborou o próprio estatudo de civilização é vítima de si própria, apercebeu-se disso, talvez, demasiado tarde"; "nada disto é importante, mas ninguém imita melhor do que eu uma bela vida".