18/05/2009


Sónia
de Tatiana Tolstaya

Encenador: Alvis Hermanis

Com:
Gundars Abolins
Jevgenijs Isajevs

Nesta dança a dois a pessoa solitária é aquela que nao vê a outra. Os pequenos gestos narrados do dia-a-dia ganham outra força e significado graças à profunda solidao de Sónia. Fazer um bolo de chocolate torna-se noutra coisa e ganha outro charme. Até que chega uma carta de amor fictícia que explode na vida de Sónia como uma bomba, altera a sua rotina, aspecto, casa - a sua vida. A partir daí observa-se o lento esfumar de uma vida triste mas agora com sentido, mesmo que fictício. A descida até ao fim é feita sem graciosidade mas plena de intensidade.

19/03/2009

Respira. Só.

01/02/2009

Nao ha maneira de chegar a kizombaland. Na espera encontrei lugares sonhados com arte, trabalho e empenho na cidade do Gaudi. Vencemos, apaixonados, o estado de sitio de uma tempestade para encontrar recantos, cafes, museu, vistas e ate uma praia com a sua ensossa torre de meteorologia para nunca esquecer. No regresso comprei um livro em Catalao por engano, troqueio por um livro do Reverte e, como se nao bastasse, trouxe peso a mais dentro de mim. Que falta eu vou sentir. Hoje passei o dia no sonho azul. Gosto do sitio, e bom para pensar, ler e beber guaraná.

21/01/2009



Já passei por alguns sítios bem especiais na minha vida. Este foi um deles, a minha residência de estudantes em Oslo, Anker. Obrigado ao Mads por me enviar este recorte noticioso informativo.


"Young woman found dead in student housing complex

The body of the dead woman was removed early Monday. Police were investigating the murder of a 19-year-old woman whose body was found in a student housing complex in downtown Oslo early Monday. Her husband has been charged in the case."


Tenho amigos que pensam em mim por todo o lado gracas à beleza Kitsch das instalacoes das comunidades Portuguesas pelo mundo. Deixa-me feliz.

17/01/2009


A Paula Rêgo visitou muitas vezes o consulado de Angola em Lisboa, bem cedo, ao frio, á chuva, ao lado de um milhar de pessoas. Sem sequer conseguir uma senha. Sempre a tentar, no cada vez mais cedo,no cada vez mais frio e difícil. Empenhada, viajou agora para o norte em que uma pequena luz de possibilidade se ilumina. Sempre feliz pelas memórias que vai gravando mas deixando também as dificuldades e problemas porque vai passando alimentar os seus bonitos e artísticos demónios interiores.

Obrigado Centro de Arte Manuel de Brito.

10/01/2009

Neve, neve, neve na ponta do meseta Ibérica. Amanha Lisboa em busca do fugidio visto Angolano. Que prazer em voltar e que duas longas semanas em que tudo se vai definindo muito rapidamente mas insiste em permanecer irremediavelmente incerto. Falo do meu trabalho e das viagens e desafios do meu trabalho como e obvio. Por casa, as minhas prendas de natal chegam ainda depois dos Reis Magos e a minha familia nunca me deixa faltar nada, nada.

31/12/2008



A minha primeira semana de Janeiro.

29/12/2008

Em casa o pouco tempo passa rapido. Enquanto espero malas que nao chegam, a barba cresce, o corpo adapta-se ao frio e a memoria tenta capturar e congelar cada momento para mais tarde. Os minutos que passam vao lentamente apertando de forma doce e bonita o interior com saudades.

21/12/2008

É Sexta-Feira em Abidjan. As pessoas atravessam lentamente o ar húmido e pesado em frente da recepcao. Ao fundo, ouvem-se os estremidos fracos mas longos de uma máquina laser de taloes já antiga a imprimir linha a linha a conta do café, do sumo ou da cerveja. Sao 20.10 da noite no bar/entrada principal do Hotel Ivoire. O estranho e histórico hotel. E ainda cedo para licores e uisques com sabor a negocios ou poder. O calor engana-me, os pinheiros de plastico e as luzes coloridas enganam-me no espectaculo kitsh e deslocado que apresentam. O piscar nervosamente rápido das luzes verdes e vermelhas nao significa qualquer noite de deep trance ou techno.


É sexta feira em Abidjan e na proxima quinta-feira é Natal! A competicao entre o calor e a humidade deixam-me um pouco confuso mas nao tanto como nos primeiros dias. Ao inicio sentia-me como se me tivessem trancado á chave numa gigante sauna como aquela em que estive em Trondheim. Como se alguem tivesse violentado a sagrada tradicao gelada do meu Natal.


O que fica agora que parto é o turbilhao do emprego, um ritmo alucinante a que sinto que tenho sabido aprender a responder e a marca indelével das pessoas que tenho, apesar do ritmo frenético do “nao ter tempo para nada”, conseguido apreciar. Sao muitas as pessoas que vou guardar com marca forte na memória por todo o tipo de razoes… o Abdulaye (www.chauffeurabidjan.blogspot.com), a Rachelle, Hélder Freitas, Ahiman, Djedje, o senhor Toha, Dogo, Menudier, Martin, Olivier, Sacha, Franck, Josephine, Simone Gbagbo, Capucine, Ada, Stephane, Sangará, Kouassi e alguns mais…


O que fica sao as ilhas de paz dos poucos passados ao sol de Assinie e a unica e colorida danca dos edificios, automoveis e habitantes de Abidjan. Abidjan é dominada pela lagoa, pelo porto e pelo Plateu - a estranha Manhattan da Cote d’Ivoire.A geografia confusa da cidade que entra pelo lago e pelo Atlântico é a metafora perfeita para este pais a todas as suas dimensoes.


22/11/2008

Encontrei Bruxelas cinzenta, muito fria, húmida e maldisposta. O meu cantinho aqui é contudo um pequeno paraíso no meio de uma tempestade de neve. Faz-me lembrar o espaco e luz de uma certa "salle de jeux" em Geneve. Por aqui preparo a logística para a viagem de Segunda-Feira, beberico em leite achocolatado Belga e recupero do intenso trabalho de escritório da passada semana que me teimou em acordar todos os dias exactamente aos dois minutos para as oito.

17/11/2008

Madrid deixa-me cansado à noite, com dias a passar rápido. Deixa-me contudo também traços daquele Urso, a Caixa do Herzog, os mais avançados homens-estátua da Europa, um bocadinho de comida peruana e gente, muita gente ao fim de semana. Das coisas mais presentes nestes dias têm sido as filas intermináveis ao pé do Museo do Jamón com centenas de pessoas à espera para comprar um bilhete de lotaria para o "el gordo". Por mim eu já sei o que quero pelo Natal, e não é o el gordo...

10/11/2008

Parece que entre Setembro e o início de Novembro de 2008 passou uma década. Tal foi a intensidade, a variedade de actividades, o sem-conta de lugares visitados, apoderados, o número de pessoas novas, conhecidas e reconhecidas, acontecimentos inesperados, planos tracejados, esforços recompensados, desafios avaliados, ponderados e aceites.

Ao chegar a Genebra, os olhos ficam imediatamente hipnotizados pelo luxo, empolando-o fora de proporção. A ostentação existe mas qualquer flanêur que se preze deve ter cuidado. Genebra é uma cidade amaldiçoada pelo ouro e chocolate que a encobre e que nem sempre deixa ver muitas das outras coisas e histórias interessantes que tem. Lausana ri-se de Genebra, é mais relaxada, mais low-profile. Faz o seu desporto, vai às suas galerias de arte e vai dando as suas achegas sem o fogo de vista da sua vizinha. Preocupa-se com o seu bem-estar e acima de tudo com o seu coração histórico e moderno agora a ser renovado.

Depois veio a casa - "La maison de Cedres" à beira da zona com o melhor fim do dia do lago Léman - A maison de Cédres encerra pessoas especiais. Alberga pequenas famílias que vão interagindo volu- e involuntariamente. A casa diverte-se com pequenas experiências sociológicas com vista a demonstrar como ninguém é igual a nada nem a ninguém e muita gente muda muito á medida que muito se vive muito junto. Neste momento devo dizer sinceramente que adoro toda a gente no último andar à direita, do segundo edíficio do complexo da Cedres (do ponto de vista de quem está virado para o lago Léman).

Gentes diferentes e bichos protegidos numa pequena região urbana natural protegida para sapos e pequenos animais de zonas húmidas em volta das residências. No topo da segunda torre do complexo a máquina de cozinhar é o motor e alma da casa. Extremamente bem oleada, é dela que depende toda a vida dos habitantes. De manhã a torradeira dá sinal à chaleira eléctrica para se preparar para o "cháleite". Ao almoço uns douradinhos, peixes verdes do mar ou bifinhos de frango abraçados por cus cus vêm antes do café da máquina resmungona vermelha. Á tarde, logo que "já está na hora de comer" uns croque-messieurs, ou talvez, num dia especial, tomatinhos bebés almofadados por mozzarela calva com basílico e azeite abrem caminho para o coup de grace dos pratos da máquina de cozinhar- o gratinado.

Na Cedres, a meio da tarde lá se encontra tempo para se ir ganhar um joguito de 3x3 contra estranhos adversários rotativos no campo alto ou então vai-se às compras para carregar as baterias da máquina de comer. Talvez à noite se tracem umas linhas no autocad, escrevam uns mails, se preparem umas entrevistas, se estudem uns gráficos ou se leiam uns textos. Depois é hora do último leite com chocolate e de se combinar as horas nunca iguais dos despertadores.

Os fins de semana trazem muitas vezes expedições. A Genebra, a Berna, Basileia, Mendrizio, Bellinzona. Cada expedição é como uma pequena vida, com começo, meio e fim. Pontos de entusiasmo, novidade, concretização, segurança, realização, desilusão e por fim de regresso. Todas as expedições nos deram pelo menos um pequeno livro de 12 páginas para escrever embora nunca o tenhamos feito. Tanta coisa que devia ser escrita fica por escrever...

13/10/2008

Há 5 minutos atrás, o desfolhar de um dicionário de Francês-Português de 1985 levou a mim aquele aroma a páginas antigas. Instantaneamente me lembrei daqueles dias sem fim em que me deliciei com os livros velhinhos das Aventuras Fantásticas... Nunca fiz batota...nunca

12/10/2008



Bravo de Esmolfe

Um monumento merecido à melhor maçã do mundo, corrigo, o melhor fruto do mundo.