11/10/2009

Die Welle - A onda

2008, Dennis Gansel


Um filme para pensar e nos pensarmos. A história de como até as mais simples visões e ideias, no caso de não serem bem geridas, questionadas e pensadas, podem facilmente fugir ao controle, irromper numa violente vida própria. Um exemplo que demonstra os perigos de como os entraves às liberdades individuais se podem pagar muito caro.

18/09/2009

Loucura...

Mário de Sá-Carneiro 1890-1916

Edições Rolim (1984)


História curta, fácil, inquietante. Torce-nos o pensamento, aponta o dedo aos destrutivos amor e tempo - "o cancro enorme". Encontramos pequenas lições na autodestruição de Raúl Vilar. Este Mário de Sá-Carneiro aos 20 anos deixa-me calmamente espantado.


Na terra dos doidos, quem tem juízo, é doido. Ser feliz seria para mim a maior das infelicidades. O tempo caminha com uma velocidade tão grande que, num segundo, avança um segundo; num minuto, outro minuto; numa hora, outra hora. É abominável!...vai-nos destruindo a cada instante...ininterruptamente...inexoravelmente.

Hoje é o dia 17 de Setembro de 2009 - nunca viverei outro dia igual a este, nunca mais farei o mesmo que fiz hoje...um segundo não se repete em cem mil anos!...

11/09/2009

3 filmes

Up

Pixar © 2009

Gostei do início, do breve e inesperado passar da vida de Carl Fredricksen. Vi em 3d e em Português mas por uma ou outra razão as personagens não tinham a profundidade que me apetecia, nem a história ou a mensagem de Wall-e. Talvez a fasquia esteja muito alta para os filmes da pixar.


Aquele querido mês de Agosto

Miguel Gomes © 2008

Longo, surpreende-nos mesmo quando já sabemos a sua história e o seu tópico. Deixa-nos ficar a boiar naquele ambiente especial e único que são as festas de Agosto nas aldeias de Portugal. Gostei das bandas, dos personagens, das pessoas e dos planos demorados sobre o carro de bombeiro, o moleiro, o senhor do acordeão. Gostei do senhor do som e dos actores escolhidos, principalmente daquele que estava nervoso por lhe terem alterado as linhas mesmo em cima da hora.


Inglorious Basterds

Quentin Tarantino ©2009

Obrigado Tarantino e obrigado Cristoph Waltz. Divertiram-me muito e eu deliciei-me naqueles diálogos longos, limpos e divertidos. Apreciei os clichés, fantasia e enredo.Muito bom.

25/08/2009

Terra Restaurante Natural


Excelente vegetariano self-service. Empaturramo-nos sem culpas de coisas deliciosas até cairmos para o lado. O espaço relaxa até demais já para não falar da moleza e lentidão aparentemente deliberada dos empregados. Pacientemente lá nos habituamos e até a apreciamos. Foi mesmo bom experimentar o Ponche de maçã mesmo se acabei por espalhar os frutos silvestres pela mesa ao tentar resgatá-los do fundo da jarra curvada com o pauzinho.O pátio (na pintura) é mimoso e bom para um pastoso sábado à tarde


Rua da Palmeira, 15

Príncipe Real

Lisboa

Portugal

707108108

Sushicafé


Ainda não tinha ido ao Sushi café nas Amoreiras. Repastei-me na partilha de um Salmon Party (Vinte e Uma peças de Salmão em Sushi e Sashimi) e de um Sushi Moriawase (Treze peças de Sushi Variado). Sentei ao balcão. Os empregados estão sempre animados e ocupados mas ainda assim o sushi levou o seu tempo. A espera valeu, o salmão parecia manteiga e o Sushi bateu mesmo no sítio.

24/08/2009

A Pior Banda do Mundo (Vol 4) - A Grande Enciclopédia do Conhecimento Absoleto

2004, José Carlos Fernandes

Devir


Pequenas, incríveis conclusões. Sem nexo e cheias de lógica e causalidade. As personagens da pior banda do mundo perturbam na sua familiaridade. Ficamos cheios de vontade de ter sido nós os inventores e pensadores de tão grandes feitos da imaginação - esses deliciosos, pequenos, impossíveis e ilógicos pedaços de conhecimento absoleto.


Ficam as minhas partes preferidas:

-Clearly the race today is between loudspeaking and soft, between the things that are and the things that seem to be.

-O desejo que um corpo sente por outro pode fazer diminuir a distância que os separa.

Se, por acidente, se carregar simultaneamente em duas teclas da máquina de escrever... É sempre a letra que não se deseja que atinge o papel.

-Se, algures, um determinado número de pessoas for privada de sono, um número idêntico de pessoas terá forçosamente de adormecer.

-A existência humana é constantemente minada pela terrível suspeita de que "a vida é noutro lugar". Fiz as contas e concluí que bastaria que toda a população activa dormisse em média 7 horas em vez de 8 para que o PIB aumentasse 11%

-Estupidez - diferencial entre a inteligência que se julga ter e aquela que efectivamente se possui

- Telefones, rádios, televisões, todos estes gadgets pedem que nos esqueçamos o que nos é próximo e essencial em favor do que é distante e acessório.

13/08/2009

Filme da Treta

com José Pedro Gomes e António Feio

Stopline, 2006


Dura e cruamente Portugueses. Óptimas caricaturas estereotipadas do cromo Português. Senti falta da simplicidade e do fundo negro dos originais do teatro, da conversa isolada sem ruído, apenas com o surrealismo pop dos diálogos e da nossa imaginação. Continuo a gostar de algumas pequenas palavras inventadas/recolocadas em frases feitas mas não apreciei o quadro completo, o mundo de Zezé e Toni caracterizado na sua totalidade, esse cenário adicionado. Gostei muito dos primeiros instantes em que aparece Marco Horácio como Zé Cágado. Esperava mais do nonsense de bairro de Eduardo Madeira dos Cebola Mole como argumentista. Nas entrevistas sobre o filme transparece que António Feio e José Pedro se sentiram um pouco presos e limitados no formato cinema.


Sabes quantas focas matam para fazer óleo de figado de bacalhau? Nunca vistes o recovery channel? Jogaste o Brutal Combat da Facation 7?Ajuda-te a ti mesmo que Deus ajudará os outros. Se pagares a dívida ficamos tiques.

12/08/2009

Os dois peixes da semana


Peixe Espada Grelhado - belíssimo, tenro, compacto, com poucas espinhas, extremamente saboroso.

Robalete Grelhado (estão dois na foto à esquerda, eles não são assim tão gordos como parecem) - longo, delicadamente troncado, algumas espinhas facilmente localizáveis junto à cabeça. Satisfaz muito bem.

07/08/2009

Macedonia - What does it take to stop a war?

Harvey Pekar and Heather Roberson
2007 Villard Books

Apesar de não ter a qualidade de Joe Sacco ou de Art Spiegelman, identifiquei-me bastante com a personagem principal - a Heather. Ela estudou conflito, perdeu o cartao de crédito a dada altura, é distraida, pensativa mas safa-se bem quando é preciso e gosta de ir registando as coisas que lhe vão acontecendo.

Selecções:
25 The idea of Balkans - only partly geographic. When the term came about int he 1800s, it was meant to describe ottoman holdings in Europe. Everything west of the Bosphorous strait, which connects the black sea to the mediterranean. As for what it continues to mean, that's more complex. Bosnia and Croatia haven't been Ottoman since 1878 when the Austro-Hungarian empire claimed them. Neither have Serbia, Romania, or Montenegro, which became independent, nor Bulgaria, which stayed under Russian influence, nor Greece. Only Macedonia and Albania remained under the Ottomans.

107 Well, I think that conflict is actually a good thing. While war tends to be a bad thing. Conflict is how we learn, you know, the struggle of world views. It's how we uncover problems in our own way of thinking. It would be better if we all agreed on everything, but what if we were all wrong?

115 We were plotting a conflict alolng a curve. Which in conflict modeling is always a curve up toward armed conflict and down towards a recession of hostilities and further down toward peace-building. - Why is it that the taking up of arms and the taking of life is signified by a rise in the curve rather than sinking? Putting it on a curve that rises along with the death toll just reinforces the idea that violence will bring resolution, because we look at it as a fever rising of tensions that will soon be let out.

05/08/2009

Che - A Graphic Biography


Spain Rodriguez, edited by Paul Buhle
Editor: Verso, 2008

Uma síntese fácil de digerir de Guevara. Deixa dar uma espreitadela para dentro da sua vida, das pessoas à sua volta e da sua sucessão de vitórias, derrotas, emoções e ataques de asma. Romantiza e celebra a sua vida sem esconder por completo as contradições e o lado negro deste ícone político-pop do século XX.

31/07/2009

O Grande Ditador


Charlie Chaplin, com Paulette Goddard - 1940

Intenso e revoltosamente divertido. Dificil de imaginar como foi filmado em segredo, não sei bem porque penso nisso, talvez só por algumas das suas cenas terem necessitado de grande esforço logístico. Crítica pura, simples, esforçada, óbvia e comovente no seu humor de um dos períodos mais negros da nossa história mais ou menos recente. Fica o curioso discurso final, o barbear ao som da rádio e a famosa cena da dança do ditador com o globo, justamente famosa na sua simplicidade - a bola fascinante mas frágil e controlável que o nosso mundo ainda vai continuando a ser.

22/07/2009

A barriga de um arquitecto

Peter Greenaway - 1987

Adoro subtil e apaixonadamente como Roma é retratada e em particular a cena inicial do Panteao, em que se janta, fala alto, ri-se e se acaba em grupo por bater palmas àquele edíficio que na verdade tanto o merece. Gosto também como os sinais de hubris iniciais se cumprem e o começo do filme se repete disforme e alterado em cenas de dejá vu. O regresso ao restaurante em frente ao Panteao é feito no desespero e na angústia da morte e do falhanço. Ao Panteao já nao se bate palmas mas olha-se em desespero e resignaçao da invariável miséria da vida. Grunhe-se em falhanço. Foi bom partilhar dos medos, loucuras e fobias do teimoso arquitecto Stourley Kracklite. Aprendemos a apreciar a sua solidao e pequenas tarefas e projectos futeis que cumpre assim como o sacrificio final que ele celebra de forma monumental - tal qual a arquitectura que ele mais aprecia.

16/07/2009

Almoço de 15 de Agosto


Pranzo di Ferragosto
Itália, 2008
Gianni Di Gregorio

Absolutamente delicioso. Díficil de imaginar a dificuldade em tornar tantas coisas tão simples em tantas coisas tão especiais, bonitas e fáceis de digerir e de gostar. Adoramos este filme da mesma forma que respiramos, andamos ou sonhamos - sem saber como, sem saber exactamente porquê. Muito bom, muito bonito, muitíssimo especial.

Alphaville



Jean Luc-Godard
França, 1965


Alphaville é uma caricatura daquilo que o futuro ameaçava trazer naquele período de Guerra Fria dos anos 60. Lemmy Caution, agente secreto, viaja até uma cidade futura que nos perturba tanto quanto nos intriga. Passamos de desorientados a fazer pequenas perguntas de auto-prospecção. Imaginando uma possível vida em Alphaville desproporcionada de amor, espontaneidade, da nossa tão importante dimensão irracional. O ditador Van Braun é alguém que nos ameaça mas também nos desafia.

12/07/2009

Solo

Coreografia e interpretação PHILIPPE DECOUFLÉ
Música Joachim Latarjet
Vídeo Olivier Simola
Teatro Viriato, 11 Julho

Tão bom, tão irrequieto e hipnotizador. Leve, com pouca gente, tendencialmente caro. Terapeuticamente surpreendente, trabalhado e agradável. Muito...extremamente díficil não gostar, complicado não nos sintonizarmos com Philippe Decouflé. Absorvê-lo.

"Paradoxo de uma época: motor das imagens que o rodeiam, o homem acaba por se perder nos respectivos reflexos. O real emaranha-se na artificiosa rede de virtualidade e o homem acaba por ser comido vivo. Suave alienação, prodigiosa ilusão."