28/11/2010

Into the Wild (music for the motion picture)

Eddie Vedder, 2007 - Sony BMG

O Eddie foi o tipo certo para dar voz a esta viagem e paisagens. O perfeito tónico para a instrospecção.

the days of our nights

Luna, 1999 - beggars banquet records

Dean Wareham; Lee Wall; Justin Harwood; Sean Eden


Dos álbums em que eu me sentava a ouvir sem fazer mais nada, como se fazia antigamente. É 'softly spoken' e intricado. Notem a excelente, excelente cover de 'sweet child of mine' lá no fim. 'Dance into the future in the old fashioned ways'.

15/11/2010

O Processo

Franz Kafka, 1925, Abril / ControlJornal (2000)

De início curioso e engraçado pelo ridículo inofensivo de um processo, vindo do nada, que é aplicado a um indivíduo. O pequeno pesadelo ilógico em que se torna assusta pelo fundo de verdade em que toca. Mostra como, por vezes, as 'instituições' criadas e desenhadas pelo homem 'espiralam' fora de controlo e se tornam em pequenos 'gremlins'.

Janela Indiscreta

Alfred Hitchcock, 1954

O quarto, a sua janela e a intriga que se desenrola no prédio em frente é uma doce coscuvilhice. Em dias de redes sociais a coscuvilhice já não é o que era mas, vá lá, talvez ainda seja suficiente para resolver um assassinato ou outro. Original e diferente. Arquitectónico?

Simple Pleasure

Tindersticks, 1998 - Quicksilver Recording


'Can we start again' tem simplesmente dos melhores inícios de uma música que conheço. A voz do senhor Stuart Staples é clássico -- 'não querer saber' -- do melhor que há. É de facto um 'prazer simples'.

11/11/2010

Moon Safari

Air, 1998 -- Revolvair, Polygram --
Nicolas Godin, Jean-Benoit Dunckel

Já me acompanha há uns bons anos e faz-me pensar em espaço sideral. Leve e 'cool'.

09/11/2010

A Divina Comédia

Manoel de Oliveira, 1991


Deixa-nos no limbo: não sei quem Manoel de Oliveira culpa,questiona, desafia e ridiculariza mais, se a religião ou a ciência e razão. Limita-se talvez a expor as incongruências e a profundidade das dúvidas e inseguranças de cada uma. As personagens estranhas e conhecidas vão percorrendo o seu caminho de esforço e inquietação sobre estas dúvidas, pouco avançando na maior parte das vezes mas de conflicto sempre aceso. A importância da maior parte destas discussões há mais de 2000 anos que não nos abandona e por mais 2000 irá ficar.

31/10/2010

Sábado 2

30 Outubro 2010 no Teatro Viriato (Reposição de obra de 1995)
Coreografia - Paulo Ribeiro
Intérpretes - Eliana Campos, Leonor Keil, Rita Omar, Gonçalo Lobato, Peter Michael Dietz e Romulus Neagu
“Procura-se senhor sem articulações para peça de nova dança contemporânea portuguesa”, foi o que ouvi ontem alguém dizer lá no Viriato sobre o método de casting de Paulo Ribeiro. Fora de brincadeira, esta gente é capaz de fazer movimentos impressionantes, plenos de significado, a uma velocidade de se lhe tirar o chapéu. O sentimento que aqueles corpos vão deixando são sempre de leitura surpreendentemente fácil, mesmo que não linear. Óptima catarse para um sábado a dois. Parabéns pelos 15 anos.

24/10/2010

Polydistortion

Gusgus, 1997 , 4AD


Estranho, calmo, melódico e indelével. Bom para uma tarde solitária a tentar aprender Chinês em convalescência. A música 7, 'why' é a melhor.

Mad Men - Segunda Temporada

Mathew Weiner, LNK - 2008


Na primeiro série, espantávamo-nos com a distância e conservadorismo de massas do início dos anos 60. Nesta, começamos a ver porque é que alguns desses comportamentos evoluíram ,sendo impressionante a velocidade destas mudanças e o impacto das pequenas coisas do dia-a-dia e da vida familiar. A pequena viagem de Don dá-nos uma colorida di versidadedos Estados Unidos daquela época, enquanto a Betty se mostra, compreensivelmente, uma caixinha de surpresas. Fico para ver o que vai acontecer à Sterling Cooper.

Noites Passadas

O melhor de Sérgio Godinho ao vivo

1995, Valentim de Carvalho música


Só ouvindo mais atentamente reparei na velocidade vertiginosa com que este homem canta. Letras que parecem fáceis e simples mas são na verdade de um ritmo e complexidade impressionantes.

'Lisboa é mãe solteira, amou como se fosse a mais indefesa das princesas que as trevas algum dia coroaram'

17/10/2010

Le Réfuge

François Ozon, 2009 - Festa do Cinema Françês '10

Daqueles purificadores. Com poucas pessoas de profundidade. Mar, casa de praia e o reencontro com a vida de uma toxicodependente que tenta renascer quando perde o namorado para uma overdose e descobre que está grávida.Ficam as pequenas coisas singulares do quotidiano e os afectos que se vão redescobrindo.

Cogumelos panados

Salpique os cogumelos com sal fino e pimenta e passe-os por ovo batido e pão ralado ao qual também juntou um pouco de sal e pimenta.

Frite em óleo bem quente até alourar de ambos os lados, isto demora pouquíssimos minutos.

Os cogumelos cozinham rapidamente.

Ponha os cogumelos num prato com papel absorvente.

Para o molho de iogurte, junte o belo do lácteo a um pouco de vinagre, sal, o alho e ervinhas a gosto.

Sirva os cogumelos ao lado ou em cima do molho.


Ingredientes

Cogumelos

Pimenta preta acabada de moer

Pão ralado

óleo para fritar

Ovos

Molho de iogurte

Sal fino

1/2 dente de alho ralado

Gengibre

Iogurte

Ervinhas a gosto

03/10/2010

O livro do desassossego

Fernando Pessoa, Abril Controljornal 1982 (edição de 2000)


Composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa

Do melhor que já li. Profundamente inquietante e bom.Tira-nos de nós e acorda-nos para os sonhos que são as nossas vidas. Aprendemos a arte de dar a mão ao antecansaço e, acima de tudo, a importância de, de vez em quando, não agir. Ficam apenas algumas das minhas passagens preferidas:


O cansaço de todas as ilusões e de tudo o que há nas ilusões. A perda delas, a inutilidade de as ter. O antecansaço de ter que as ter para perdê-las, a mágoa de as ter tido, a vergonha intelectual de as ter tido sabendo que teriam tal fim. A paisagem, tão admirável como quadro, é em geral incómoda como leito. A vida é pronta e triste. Agir é repousar. Dizem os ocultistas - há momentos supremos da alma em que ela recorda, com a emoção ou com parte da memória, um momento, ou um aspecto, ou uma sombra, de uma encarnação anterior. E então, como regressa a um tempo que está mais próximo que o seu presente da origem e do começo das coisas, sente, em certo modo, uma infância e uma libertação.

133 Um bomba do existir me tocou nas mais profundas entranhas do espírito. Prefiro a derrota com o conhecimento da beleza das flores que a vitória no meio dos desertos, cheia de cegueira da alma. A sós com a sua cegueira separada. Lixo de estrelas e almas.

208 A bondade é um capricho temperamental 142 ter opiniões é estar vendido a si mesmo. Não ter opiniões é existir. Ter todas as opiniões é ser poeta.157 A vida é a busca do impossível através do inútil 162 A vida prática sempre me pareceu o menos cómodo dos suicídios.

Por arte entende-se tudo o que nos delicia sem que seja nosso - o rasto da passagem, o sorriso dado a outrem, o poente, o poema, o universo objectivo. Possuir é perder. Sentir sem possuir é guardar, porque é extrair de uma coisa a sua essência.270 saber iludir-se é a primeira qualidade do estadista 275 a acção é uma doença do pensamento. Um cancro da imaginação. Agir é exilar-se.toda a acção é incompleta e imperfeita.

352 226 Não é nos largos campos ou nos jardins grandes que vejo chegar a Primavera. É nas poucas árvores pobres de um largo pequeno da cidade. Ali a verdura destaca como uma dádiva e é alegre como uma boa tristeza. Onde há uma forma há alma. Deus é bom mas o diabo também não é mau.

315 Nunca se deve fazer hoje o que se pode deixar de fazer também amanhã. Amar é cansar-se de estar só; é uma cobardia portanto, é uma traição a nós próprios 324 cada um de nós é dois, e quando duas pessoas se encontram, se aproximam, se ligam, é raro que as quatro possam estar de acordo. 339 um decorativismo interior acentua-se como o modo superior e esclarecido de dar um destino à nossa vida, Tirando fotografias com a máquina do devaneio. 358 aristocracia interior 360 talvez a glória saiba a morte e inutilidade, e o triunfo cheire a podridão. Uma chávena de café, um cigarro e os meus sonhos substituem bem o universo e as suas estrelas, o trabalho, o amor, até a beleza e a glória.

Dragon Ball - Revenge of King Piccolo

Namco, 2009

Foi bom reviver esta tão adorada história e o grande Songoku.Surpeendeu-me a violência da coisa num momento ou outro, tendo em conta que tinha 8 ou 9 anos quando me babava em frente à televisão. O jogo está bem ilustrado e dá mesmo para reviver a velha narrativa mas as combinações de movimentos são demasiado básicas e acaba-se muito rápido.