30/03/2016

Children of Men

2006, Alfonso Cuarón
Com Clive Owen, Julianne Moore, Chiwetel Ejiofor, Michael Caine

Neste futuro tão familiar, o mundo envelheceu esquecido das crianças, balcanizou-se.

Perdeu-se na inveja e ódio. Numa guerra que pausa breve, procuramos uma saída enevoada. Superiormente filmado. Acção non-stop.

Meia Maratona de Lisboa EDP 2016

20 Março 

21,1 km em 1 h 56 m 45 s

Épica, dura, brilhante. Recordista no tempo e uma bonita prova de amizade VIP. Inesquecível ceviche. Registada numa caneca. 

Meia Maratona de Lisboa EDP 2015

22 Março 

21,1 km em 
2 h 12 m

A primeira meia maratona. Foi preparação para Bordéus, a ritmo lento.


Mesmo assim, uma grande emoção. 

Corrida dos Descobrimentos 2015

10 km dos Descobrimentos
5 Dezembro 2015
Com o Rui

1 h 2 min.
Longe dos melhores tempos. É sempre um momento de prazer e orgulho correr com o primo.
Seguiu-se a um memorável jantar de amigos, mesmo que não mais que um entre tantos outros.

Alma

20 Fevereiro 2016
Henrique Sá Pessoa

Macarron de chocolate com foie gras e vinagre balsâmico.
Creme de bacalhau com natas
Crocante de tapioca

Carapaus marinados
Caldo Tomate
Pimentos ao carvão, com molho pimentão

Filete de pescada com alho francês, avelãs, puré de batata e molho hollandaise com dijon
Entrecôte de novilho mousseline de aipo, pickle de beterraba, molho barbecue

Pão de alfarroba, manteiga fumada
Pão de milho e batata doce, azeite alma

Pastel de nata casa-croquete
Trufa crocante
Madalena de Pistáchio
Sorbet de maçã Granny Smith com merengue de caipirinha

Vinho Tyro Branco
Gavião tinto Alentejo Lapa dos Gaviões


28/02/2016

As Bodas de Deus

João César Monteiro, 1999
Com Rita Durão, Joana Azevedo e Luís Miguel Cintra

A fortuna bate à porta quando Luís Miguel Cintra a entregar uma mala de dinheiro a João de Deus, transformando-o no Barão de Deus.

Memorável sarça ardente, a Traviata no camarote presidencial do São Carlos e uma noite de amor surpreendente, em que César expõe a sua fragilidade de forma corajosa e bela.

"- Tome lá cem escudos. Mas não gaste tudo em vinho. - Deus a abençoe Madre Abadessa, por esta santa esmolinha. - Que Deus o acompanhe. - Mais vale só que mal acompanhado. … - Ó Agostinho, toma lá cem dólares, mas não gastes tudo em freiras. - Muito obrigado meu bom senhor"


 “- Será da minha vista ou as maminhas também te cresceram? (...) Achas que posso ver só uma? Tenho estado a pão e laranjas”.

Andrei Rublev

Andrei Tarkovsky, 1973

Rublev é apenas a desculpa para pintar um mundo de convulsão, destruição e caos, sempre belo e surpreendente. Rico de segredos e magia. A construção do sino, de proporções épicas, é incrível. Obra de arte.

09/02/2016

Vou para casa

Manoel de Oliveira, 2001
Com Michel Piccoli, John Malkovich

A metáfora é maior do que eu pensava. O caminho das máquinas, da opressão maquinal que nos pressiona até desejarmos voltar para o ventre da mãe, para casa. Baseado em factos reais, este é das mais belas peças criadas por Manoel. Lindo de morrer. Paris capturada no agora. Uma ode ao teatro, à intersecção do teatro e cinema com a vida real. Brilhante.

08/02/2016

Palavra e Utopia

Manoel de Oliveira, 2000
Com Luís Miguel Cintra, Lima Duarte, Leonor Silveira, Ricardo Trêpa

Pai da palavra e utopia portuguesa. Da liberdade, do futuro, aventura, trabalho e entrega. Escritor, orador e pensador virtuoso. De facto, calham bem a Oliveira as palavras: "servir aos futuros, pagar aos passados e não dever nada aos presentes".

"Finalmente, vossa Reverendíssima me diz que não sabe a resolução que se tomará em Lisboa, e lhe parece que Sua Majestade se lançará de fora. Eu o quisera muito metido de dentro, porque vi cartas de alguns que não estão mui longe dos seus ouvidos", Padre António Vieira, Séc. XVII, que escreveu, não estou a brincar, um livro chamado 'História do Futuro'.

Purity


Jonathan Franzen, 2015
Fourth Estate - London

A pureza é afinal impossível, a não ser que a tomemos por obsessão. A frustração de falhar nas relações amorosas, familiares e laborais. Segredos desvendados atrás de segredos, visões e vozes que se cruzam, o tempo utilizado de forma elástica.

6 All these good-hearted San Lorenzo Valley types had glimpsed in Pip's mother what Pip herself, in her early teens, had seen and felt proud of: an ineffable sort of greatness. You didn't have to write to be a poet, you didn't have to create things to be an artist. Her mother's spiritual endeavor was itself a kind of art - an art of invisibility. There was never a television in their cabin and no computer before Pip turned twelve; her mother's main source of news was the Santa Cruz Sentinel, which she read for the small daily pleasure of being appalled by the world.

45 Garth and Erik imagined a labor utopia. Their theory was that the technology-driven gains in productivity and the resulting loss of manufacturing jobs would inevitably result in better wealth distribution, when capital realized that it could not afford to pauperize the consumers who bought its robot-made products.

103 As the chief state economist, he was responsible for the wholesale massaging of data, for demonstrating increases in productivity where there weren't any, for balancing a budget that every year drifted farther from reality, for adjusting official exchange rates to maximize the budgetary impact of whatever hard currency the Republic could finagle or extort, for magnifying the economy's few successes and making optimistic excuses for its many failures. The top party leaders could afford to be stupid or cynical about his numbers, but he himself had to believe in the story they told. This required political conviction, self-deception, and, perhaps especially, self-pity.

180 The leading occupational hazard of Leila's job was sources who wanted to be friends with her. The world was overpopulated by talkers and underpopulated by listeners, and many of her sources gave her the impression that she was the first person who'd ever truly listened to them.

187 On a rare good day, he might produce a long paragraph - disconnected, like all its fellows, from any other paragraph - that made her hoot with laughter.

202 "I'm sorry", she said. "But I wouldn't be a responsible journalist if I didn't hear your side of the story. "There is no story". Well, see, but that's a side itself. Because other sides are saying there is a story.

204 The irony of the internet is that it's made the journalist's job so much easier. You can research in five minutes what used to take five days. But the internet is also killing journalism. There's no substitute for the reporter who's worked a beat for twenty years, who's cultivated sources, who can see the difference between a story and a non-story. Google and accurint can make you feel very smart, but the best stories come when you're out in the field. Your source makes some off-hand remark, and suddenly you see the real story. That's when I feel most alive, when I'm sitting at the computer I'm only half-alive.

492 He was so immersed and implicated in the internet, so enmeshed in its totalitarism, that his online existence was coming to seem realer than his physical self. Who even cared what a person's private thoughts about him were? Private thoughts didn't exist in the retrievable, disseminable and readable way that data did. The aim of the internet (...) was to liberate humanity from the tasks - making things, learning things, remembering things - that had previously given meaning to life and thus had constituted life. Now it seemed as if the only task that meant anything was search-engine optimization.

539 The world ... an eternal struggle for power - power, power power: how could the world be organized around the struggle for something so lonely and oppressive in the having of it, Secrets were power, money was power, being needed was power.

546 Yes, a kind of heaven: long rallies on an autumn evening, the exercise of skill in light still good enough to hit by, the faithful pock of a tennis ball. It was enough.
The sun went down, the air was deliciously cool, and they kept hitting, the ball bouncing up in a low arc. That instant of connecting, the satisfaction of reversing the ball's inertia, the sweetness of the sweet spot (...) perfect contentment.

526 Could a more perfectly manufactured object than a tennis ball be imagined? Fuzzy and spherical, squeezable and bouncy, its stitching a pair of matching tongues, its voice on impact a pock in the most pleasing of registers.

10/01/2016

Locke

2014, Steven Knight, com Tom Hardy

O poder da interpretação, de ir construindo as peças do puzzle de quem alguém é, qual a sua história, tudo durante uma viagem, sempre dentro do carro. Só com uma personagem principal a falar em alta voz. Quem diria que funciona tão bem.

A juventude

Paolo Sorrentino, 2015
Michael Caine, Harvey Keitel, Paul Dano, Jane Fonda

Obra prima visual, num surreal purgatório: belo, rico, profundo. Coisas maravilhosas: o monólogo da Rachel Weisz na marquesa da massagem; o suicídio; Michael Caine no geral; Maradona ouve a conversa na piscina e vem ter com a malta dizer que também é canhoto;  pequeno-almoço com o Hitler; a Miss Universo.













The big short

Adam McKay, 2015
Com Christian Bale, Steve Carell, Ryan Gosling, Brad Pitt

Aquele 'crash' que, por mais vezes que a história se repita, tão poucos previram na sua dimensão. As repercussões desta bolha ainda explodem hoje nas nossas mãos. Em retrospectiva era óbvio. Muito bem contado: uma excelente conjugação de explicação e entretenimento.

02/01/2016

Recordações da Casa Amarela

1989, João César Monteiro


Obra-prima. João César Monteiro em todo o seu esplendor: obsessivo, divertido, sarcástico, perigoso, intenso e alucinado.

Mostra-nos uma Lisboa tonta, decadente e estonteante entre a casa dos bicos e o panóptico do hospital Miguel Bombarda.  João de Deus é um corpo decadente como a cidade, como o país, como o bairro. Adorei! Adorei! Adorei!


João César Monteiro - Os primeiros filmes

João César Monteiro

Lusomundo
Editado com a colaboração especial da Cinemateca portuguesa - museu do cinema


Sophia de Mello Breyner Andresen, 1970
Muito mar num documento surpreendente. Sente-se o círculo pequeno e o meio onde vivia a escritora, dedicação aos filhos, entre eles um jovem Miguel Sousa Tavares, praia e conversas sobre escrita e poesia.



Quem espera por sapatos do defunto morre descalço, 1970-71
Lisboa como foi. Procurar os mortos para penhorar sapatos. O início do fascínio de João César Monteiro pelos pelintras e trapaceiros. A primeira aparição de Luís Miguel Cintra.



Fragmentos de um filmes esmola 1972-77
Não sai do quarto, mete máscara de porco e ataca o sogro quando se passa. Uma gentil loucura que todos temos, levada ao extremo.



Que farei eu com esta espada? 1975
Marinheiros no Cais do Sodré. Quem o viu e quem o vê. Soldados dos Estados Unidos e Holandeses no Castelo e na baixa que não sabem nada sobre nada. Meninas de discurso profundo.