04/06/2009

O Alquimista


Paulo Coelho
l'Alchimiste
Éditions Anne Carriére - 1994, Copyright © 1988 Paulo Coelho - Emprestado por Romain Tanzer

O Alquimista conta-nos a história de uma viagem plena de pequenas grandes liçoes. Revela-nos a poderosa ideia da "Lenda Pessoal", o objectivo incorpóreo e final da vida de cada um pelo qual há que se lutar e acreditar. Quando se assim faz o Universo encarregar-se-a entao de conspirar para essa Lenda Pessoal se realizar. O universo sobrenatural e onírico da viagem de Santiago estimula-nos a estar atentos aos pequenos sinais em redor das nossas vidas. Estar atento a eles e permitir que esses sinais nos empurrem para longe, para o incerto, para o poético e para os tesouros da vida.

Citaçoes favoritas:

23 Les bergers, comme les marins ou les commins voyageurs, connaissent toujours une ville oú existe quelq'un capable de leur faire oblier le plaisir de courir le monde en toute liberté
41 C'est un livre qui parle de la meme chose que presque tous les livres. De l'incapacité des gens à choisir leur propre destin
45 La légende personelle - c'est que tu as toujours souhaité faire. Accomplir sa légende personelle est la seule et unique obligation des hommes. Tout n'est q'une seule chose.
139 Si tu peux demeurer toujours dans le présent, alors tu seras un homme heureux. Tu comprendras que dans le désert il y a de la vie, que le ciel a des étoiles, et que les guerriers se battent parce que c'est lá quelque chose d'inhérent à la vie humaine.
163 En ouvrant un livre à une page quelconque, en examinant les main d'une personne, ou le vol des oiseaux, ou encore des cartes à jouer ou quoi que ce soit d'autre, chacun de nous peut découvrir un lien avec ce qu'il est en train de vivre.
207 Il n'y a qu'une façon d'apprendre répondit l'Alchimiste. C'est par l'action. Tout ce que tu avais besoin de savoir, c'est la voyage que te l'a enseigne.
L'heure la plus sombre est celle qui vient juste avant le lever du soleil.
220 en géneral, la mort fait que l'on devient plus attentif à la vie

26/05/2009

Terra Sonâmbula


Mia Couto
Ndjira Editora - 2005, 5ª ediçao

Viagem onírica por duas histórias e dois grupos de pessoas e personagens que se unem no mesmo mundo. A força imperial e poderosa do "contar e ler histórias" mesmo nos momentos mais difíceis e de maior aperto. Ficam-nos o Tuahir, Muidinga e Kindzu. Deixo aqui as minhas passagens predilectas:

Eu me confortava: Nunca ninguém se tinha esquecido de nada por causa de mim.
17 A guerra é uma cobra que usa os nossos próprios dentes para nos morder. Seu veneno circula em todos os rios da nossa alma. De dia já nao saiamos, de noite nao sonhávamos. O sonho é o olho da vida. Nós estávamos cegos
31 Deixa a guerra, filho. A morte só ensina a matar.
Um regime só ganha validade, caro Estevao, é quando contra argumentos nao há factos
44 As ideias, todos sabemos, nao nascem na cabeça das pessoas. Começam num qualquer lado, sao fumos soltos, tresvairados, rodando à procura de uma devida mente.
74 Nao inventaram ainda uma pólvora suave, maneirosa, capaz de explodir os homens sem lhes matar. Uma pólvora que, em avessos serviços, gerasse mais vida. E do homem explodido nascessem os infinitos homens que lhe estao por dentro.
Em terra de cego, quem tem olho fica sem ele. O prometido é de vidro. O melhor da vida é o que nao há-de vir.
121 Nem isto guerra nenhuma é, isto é alguma coisa que nao tem nome. Antes fosse uma guerra a sério. Se assim fosse teria feito crescer o exército. Mas uma guerra fantasma faz crescer um exército fantasma, salteado, desnorteado, temido por todos e mandado por ninguém.

23/05/2009

A Viagem do Elefante


José Saramago
Caminho, 2008

É uma viagem de Lisboa a Vienna calma e bonita na sua simplicidade. Leva-nos através de lugares e personagens fascinantes do Portugal e Europa do tempo de D.Joao III, no século XVI. Pelo caminho fica um exemplo peculiar da teimosia valente dos soldados Portugueses, um curioso milagre revelador da turbulência religiosa dessa altura, uma viagem de barco, um salvamento na neve e, acima de tudo, Subhro, a personagem do Cornaca. A alma, olhos e coraçao do elefante Salomao.

19/05/2009

Quel amour d'enfant


Autora:Comtesse de Ségur
Bibliotheque Rose - 1992 - Oferecido em 1994 pela Madrinha da Carine

Esta escritora Francófona aristocrata de origem Russa do século XIX dá-nos o retrato de Gisela e da vida da sua família que gira quase completamente à sua volta. É uma caricatura do poder do filho ou filha mimada que se aperfeiçoou na arte de dominar e manipular os seus pais com vista aos seus objectivos. É a história das consequências do egoísmo, superficialidade, arrogância, de caprichos exagerados e incontroláveis. As suas muitas impertinências culminam no seu casamento com um duque aos quatorze anos, um duque mais velho cheio da guita. A sua sucessao de erros, as várias tentativas pedagógicas da sua tia e outros amigos da família e a sua assumida falta de respeito pelos pais que: ou nao sabem dizer que nao (Pai - M. de Gerville) ou nao se sabem impor (Mae - Leontine) acabam de forma triste na minha opiniao. Mesmo se ela consegue acabar por voltar a casar, já velhota aos 27 com o seu principe encantado no final, o Julien. Trágico.

18/05/2009

Big Shoot
de Koffi Kwahulé

Com: Denis Lavant

O poder de nao se matar apenas e só se nao se quiser. É esse o verdadeiro poder? Stan nunca fica de costas voltadas, sempre trabalha em prol de uma perfeita e destrutiva comunicaçao. A violencia, confusao e falta de sentido encaixam no final de maneira subtil, formando mais que uma imagem. A peça deixa-nos um travo claro e perceptível das partes mais obscuras e demoniacas do homem. Tudo transmitido através de um monólogo entre duas personagens. A mensagem vai sendo escrita nas expressoes cavadas na pele e cara desse duplo actor que inevitavelmente se acaba por destruir e canibalizar.

Sónia
de Tatiana Tolstaya

Encenador: Alvis Hermanis

Com:
Gundars Abolins
Jevgenijs Isajevs

Nesta dança a dois a pessoa solitária é aquela que nao vê a outra. Os pequenos gestos narrados do dia-a-dia ganham outra força e significado graças à profunda solidao de Sónia. Fazer um bolo de chocolate torna-se noutra coisa e ganha outro charme. Até que chega uma carta de amor fictícia que explode na vida de Sónia como uma bomba, altera a sua rotina, aspecto, casa - a sua vida. A partir daí observa-se o lento esfumar de uma vida triste mas agora com sentido, mesmo que fictício. A descida até ao fim é feita sem graciosidade mas plena de intensidade.

19/03/2009

Respira. Só.

01/02/2009

Nao ha maneira de chegar a kizombaland. Na espera encontrei lugares sonhados com arte, trabalho e empenho na cidade do Gaudi. Vencemos, apaixonados, o estado de sitio de uma tempestade para encontrar recantos, cafes, museu, vistas e ate uma praia com a sua ensossa torre de meteorologia para nunca esquecer. No regresso comprei um livro em Catalao por engano, troqueio por um livro do Reverte e, como se nao bastasse, trouxe peso a mais dentro de mim. Que falta eu vou sentir. Hoje passei o dia no sonho azul. Gosto do sitio, e bom para pensar, ler e beber guaraná.

21/01/2009



Já passei por alguns sítios bem especiais na minha vida. Este foi um deles, a minha residência de estudantes em Oslo, Anker. Obrigado ao Mads por me enviar este recorte noticioso informativo.


"Young woman found dead in student housing complex

The body of the dead woman was removed early Monday. Police were investigating the murder of a 19-year-old woman whose body was found in a student housing complex in downtown Oslo early Monday. Her husband has been charged in the case."


Tenho amigos que pensam em mim por todo o lado gracas à beleza Kitsch das instalacoes das comunidades Portuguesas pelo mundo. Deixa-me feliz.

17/01/2009


A Paula Rêgo visitou muitas vezes o consulado de Angola em Lisboa, bem cedo, ao frio, á chuva, ao lado de um milhar de pessoas. Sem sequer conseguir uma senha. Sempre a tentar, no cada vez mais cedo,no cada vez mais frio e difícil. Empenhada, viajou agora para o norte em que uma pequena luz de possibilidade se ilumina. Sempre feliz pelas memórias que vai gravando mas deixando também as dificuldades e problemas porque vai passando alimentar os seus bonitos e artísticos demónios interiores.

Obrigado Centro de Arte Manuel de Brito.

10/01/2009

Neve, neve, neve na ponta do meseta Ibérica. Amanha Lisboa em busca do fugidio visto Angolano. Que prazer em voltar e que duas longas semanas em que tudo se vai definindo muito rapidamente mas insiste em permanecer irremediavelmente incerto. Falo do meu trabalho e das viagens e desafios do meu trabalho como e obvio. Por casa, as minhas prendas de natal chegam ainda depois dos Reis Magos e a minha familia nunca me deixa faltar nada, nada.

31/12/2008



A minha primeira semana de Janeiro.

29/12/2008

Em casa o pouco tempo passa rapido. Enquanto espero malas que nao chegam, a barba cresce, o corpo adapta-se ao frio e a memoria tenta capturar e congelar cada momento para mais tarde. Os minutos que passam vao lentamente apertando de forma doce e bonita o interior com saudades.

21/12/2008

É Sexta-Feira em Abidjan. As pessoas atravessam lentamente o ar húmido e pesado em frente da recepcao. Ao fundo, ouvem-se os estremidos fracos mas longos de uma máquina laser de taloes já antiga a imprimir linha a linha a conta do café, do sumo ou da cerveja. Sao 20.10 da noite no bar/entrada principal do Hotel Ivoire. O estranho e histórico hotel. E ainda cedo para licores e uisques com sabor a negocios ou poder. O calor engana-me, os pinheiros de plastico e as luzes coloridas enganam-me no espectaculo kitsh e deslocado que apresentam. O piscar nervosamente rápido das luzes verdes e vermelhas nao significa qualquer noite de deep trance ou techno.


É sexta feira em Abidjan e na proxima quinta-feira é Natal! A competicao entre o calor e a humidade deixam-me um pouco confuso mas nao tanto como nos primeiros dias. Ao inicio sentia-me como se me tivessem trancado á chave numa gigante sauna como aquela em que estive em Trondheim. Como se alguem tivesse violentado a sagrada tradicao gelada do meu Natal.


O que fica agora que parto é o turbilhao do emprego, um ritmo alucinante a que sinto que tenho sabido aprender a responder e a marca indelével das pessoas que tenho, apesar do ritmo frenético do “nao ter tempo para nada”, conseguido apreciar. Sao muitas as pessoas que vou guardar com marca forte na memória por todo o tipo de razoes… o Abdulaye (www.chauffeurabidjan.blogspot.com), a Rachelle, Hélder Freitas, Ahiman, Djedje, o senhor Toha, Dogo, Menudier, Martin, Olivier, Sacha, Franck, Josephine, Simone Gbagbo, Capucine, Ada, Stephane, Sangará, Kouassi e alguns mais…


O que fica sao as ilhas de paz dos poucos passados ao sol de Assinie e a unica e colorida danca dos edificios, automoveis e habitantes de Abidjan. Abidjan é dominada pela lagoa, pelo porto e pelo Plateu - a estranha Manhattan da Cote d’Ivoire.A geografia confusa da cidade que entra pelo lago e pelo Atlântico é a metafora perfeita para este pais a todas as suas dimensoes.