1982, Ridley Scott
Com Harrison Ford
Fabuloso mundo neo-punk distópico. Mais que os actores, os ambientes e os cenários são estonteantes. Curioso como o mundo de 2019 será concerteza tão distante deste desenho, muito mais parecido com o de 1982 do que se imaginaria. Mas a história é na verdade sobre a pergunta: será que os andróides sonham com ovelhas eléctricas?
Pelo andar da carruagem, já estive mais longe de acreditar que o replicante Modelo Nexus-6 Leon Kowalkski terá a sua incepção a 10 de Abril de 2017.
29/01/2017
28/01/2017
Snowden
18/01/2017
Jodorowski's Dune
Frank Pavich, 2014
Singela homenagem ao maior filme que nunca foi feito. Dali ia participar. Os anos de trabalho de Alejandro Jodorowsky, que reuniu uma equipa em Paris. A bonita dor de um sonho incompleto. Impressionante storyplay e impressionante legado, basta ver Star Wars e Alien.
Singela homenagem ao maior filme que nunca foi feito. Dali ia participar. Os anos de trabalho de Alejandro Jodorowsky, que reuniu uma equipa em Paris. A bonita dor de um sonho incompleto. Impressionante storyplay e impressionante legado, basta ver Star Wars e Alien.
17/01/2017
The arrival
Denis Villeneuve, 2016
Com Amy Adams
Não é um filme sobre extraterrestres, é um filme sobre linguagem. Sobre os limites da linguagem que aprendemos. Sobre os limites que esquecemos. A heroína é uma especialista em línguas. É interrompida quando está prestes a dar uma aula sobre português. Visualmente estonteante e delicado.
Com Amy Adams
Não é um filme sobre extraterrestres, é um filme sobre linguagem. Sobre os limites da linguagem que aprendemos. Sobre os limites que esquecemos. A heroína é uma especialista em línguas. É interrompida quando está prestes a dar uma aula sobre português. Visualmente estonteante e delicado.
07/01/2017
A lei do mercado
2015, Stéphane Brizécom Vincent Lindon
Consciência, ética e dignidade a embaterem contra as forças que impelem e movem as relações laborais de hoje.
Família, amigos, colegas e a simples vontade de fazer a coisa certa.
Uma horrorosa entrevista via Skype. Torna-se segurança. Confronta o roubo de pontos de um cartão de fidelidade, de carne para comer. E agonia.
Scott Foundas chamou-lhe o Tom Joad do Séc. XXI.
Reality
Matteo Garrone, 2012
Aniello Arena é brilhante. E que história a dele. A servir pena perpétua, condenado pelo assassinato de três membros de um grupo de máfia rival. Esta não é a personagem. É mesmo ele. Aniello recebeu a graça de sair da cadeira para rodar o filme.
Retrata a intoxicação dos 'reality shows' nas nossas vidas, numa pequena comunidade, com algo inicialmente inócuo e cómico a transformar-se em paranóia, obsessão e loucura geral.
A atmosfera cómico-surrealista de Nápoles, de culto da morte é esta:
"When Napoli first won the Seria A Italian championship with Maradona in 1987, graffiti appeared on a cemetery wall: "You Don't Know What You Missed." Next day, someone painted a reply: "How Do You Know We Missed It?"
"It's ironic," Aniello Arena observes in an interview to the Guardian's Ed Vulliamy, "that it's a film about being surveyed 24 hours a day, and that I'm supposed to be a prisoner. But I'm less of a prisoner than those people on television, and they go because they want to! To go on that schifezza [rubbish]."
"That," adds Punzo, "is what life has become: the exultation of mediocrity. The message today is: this is your life, don't try and leave it, and if you do – we'll watch and control your aspirations."
Aniello Arena é brilhante. E que história a dele. A servir pena perpétua, condenado pelo assassinato de três membros de um grupo de máfia rival. Esta não é a personagem. É mesmo ele. Aniello recebeu a graça de sair da cadeira para rodar o filme.
Retrata a intoxicação dos 'reality shows' nas nossas vidas, numa pequena comunidade, com algo inicialmente inócuo e cómico a transformar-se em paranóia, obsessão e loucura geral.
A atmosfera cómico-surrealista de Nápoles, de culto da morte é esta:
"When Napoli first won the Seria A Italian championship with Maradona in 1987, graffiti appeared on a cemetery wall: "You Don't Know What You Missed." Next day, someone painted a reply: "How Do You Know We Missed It?"
"It's ironic," Aniello Arena observes in an interview to the Guardian's Ed Vulliamy, "that it's a film about being surveyed 24 hours a day, and that I'm supposed to be a prisoner. But I'm less of a prisoner than those people on television, and they go because they want to! To go on that schifezza [rubbish]."
"That," adds Punzo, "is what life has become: the exultation of mediocrity. The message today is: this is your life, don't try and leave it, and if you do – we'll watch and control your aspirations."
Uma foto publicada por Daniel Alvarenga (@dgalvarenga) a
01/01/2017
Benjamin Clementine
1 Junho 2016, Coliseu dos Recreios
Que poder. Algo incrivelmente novo e avassalador. Íntimo e transcendente como a sua história. Rendição otal. Será que para o resto da minha vida serei forçado ao bloqueio das visão por mãos com telemóveis a filmarem e estúpidos flashes que destroem concertos e comunhão?
Que poder. Algo incrivelmente novo e avassalador. Íntimo e transcendente como a sua história. Rendição otal. Será que para o resto da minha vida serei forçado ao bloqueio das visão por mãos com telemóveis a filmarem e estúpidos flashes que destroem concertos e comunhão?
19/11/2016
Porto da minha infância
Jiro dreams of sushi
The Grand Budapest Hotel
Wes Anderson, 2014
Stefan Zweig (inspirado)
Com Ralph Fiennes
Corropio de simetrias, loucuras e personagens calorosas e de enorme empatia. Um mundo de adultos, sofisticado, como que imaginado pelas melhores partes da mente de uma criança.
História que avança a forte ritmo mas, acima de tudo, um deleite visual de cores fortes e atenção aos pormenores.
Stefan Zweig (inspirado)Com Ralph Fiennes
Corropio de simetrias, loucuras e personagens calorosas e de enorme empatia. Um mundo de adultos, sofisticado, como que imaginado pelas melhores partes da mente de uma criança.
História que avança a forte ritmo mas, acima de tudo, um deleite visual de cores fortes e atenção aos pormenores.
16/11/2016
À flor do mar
João César Monteiro
1986
Laura Morante, Philip Spinelli
Fotografia estonteante, pura, carregada. Que luz! Robert Jordan veio de Hemingway directamente para uma simples história de Verão e praia de Portugal. Trágica e feliz. Aparentemente João César propos despedir-se, por insatisfação. Gostava de saber porquê.
1986
Laura Morante, Philip Spinelli
Fotografia estonteante, pura, carregada. Que luz! Robert Jordan veio de Hemingway directamente para uma simples história de Verão e praia de Portugal. Trágica e feliz. Aparentemente João César propos despedir-se, por insatisfação. Gostava de saber porquê.
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Zululuzu
2016, Teatro São LuízCom Pedro Zegre Penim, André Teodósio
Não está ao nível dos brilhantes Eurovision, Tropa Fandanga, Tear Gas e Padam Padam. Diverte sim, mas parece que se perdeu na metacrítica em demasia, nos debates e lutas de egos que escapam aos que não pertencem ao meio. Algo não encaixa como encaixou.
The intern
Belarmino
1964, Fernando Lopes
Cru e surpreendente, o Belarmino tem toda a vida do mundo nele e toda a mágoa também. Um fanfarrão vadio, pobre e todo-poderoso. Um Mayweather português, mas com muito mais nível. Pobre, engatatão e obstinado.
- Estive dois meses no Porto. Fiz cinco combates dos quais só recebi um par de sapatos já em segunda mão. Uma gabardine custou-me 900 escudos. E deu-me no dia de Natal 150 escudos para ir passar o Natal com a minha família.
- Sei que queres ir trabalhar para o estrangeiro, mas tu és um homem de Lisboa, não vais sentir saudade da cidade?
- Sim, muitas (...).
- Então porque vai trabalhar para o estrangeiro?
- Porque boxing em Portugal não há, e eu vou para o estrangeiro apenas para ser treinador ou jogar boxe. Só vou para dar porrada, porque levar já não posso. Já não tenho idade, tenho 32 anos.
- Não há engenheiros e arquitectos que vão para o desporto e levam porrada na cabeça por gosto. São homens como eu, vadios.
Cru e surpreendente, o Belarmino tem toda a vida do mundo nele e toda a mágoa também. Um fanfarrão vadio, pobre e todo-poderoso. Um Mayweather português, mas com muito mais nível. Pobre, engatatão e obstinado.
- Estive dois meses no Porto. Fiz cinco combates dos quais só recebi um par de sapatos já em segunda mão. Uma gabardine custou-me 900 escudos. E deu-me no dia de Natal 150 escudos para ir passar o Natal com a minha família.
- Sei que queres ir trabalhar para o estrangeiro, mas tu és um homem de Lisboa, não vais sentir saudade da cidade?
- Sim, muitas (...).
- Então porque vai trabalhar para o estrangeiro?
- Porque boxing em Portugal não há, e eu vou para o estrangeiro apenas para ser treinador ou jogar boxe. Só vou para dar porrada, porque levar já não posso. Já não tenho idade, tenho 32 anos.
- Não há engenheiros e arquitectos que vão para o desporto e levam porrada na cabeça por gosto. São homens como eu, vadios.
14/11/2016
Daytripper
Fábio Moon e Gabriel Bá, 2011
Tanta morte e tragédia, de forma tão sublimemente desenhada e escrita que não se tornam nada mais que uma ode à vida e ao que tantas vezes nos esquecemos de procurar nela.
Tanta morte e tragédia, de forma tão sublimemente desenhada e escrita que não se tornam nada mais que uma ode à vida e ao que tantas vezes nos esquecemos de procurar nela.
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